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Curitiba é destaque em fórum do G20 sobre economia circular

Reconhecida como cidade inteligente e inovadora pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Curitiba compartilhou suas experiências de sucesso no controle de desperdício, recuperação de recursos naturais e produção sustentável de alimentos, nesta segunda-feira (12/7), na Conferência das Cidades Circulares do G20. O evento internacional sobre economia circular  teve transmissão on-line e foi promovido pela […]

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Reconhecida como cidade inteligente e inovadora pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Curitiba compartilhou suas experiências de sucesso no controle de desperdício, recuperação de recursos naturais e produção sustentável de alimentos, nesta segunda-feira (12/7), na Conferência das Cidades Circulares do G20. O evento internacional sobre economia circular  teve transmissão on-line e foi promovido pela OCDE em parceria com a Green Building Council Italia.

Neste ano a Itália preside o G20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo, incluindo o Brasil.

No painel “Economia circular nas cidades: colocando as estruturas em prática”, Cris Alessi, presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, detalhou iniciativas da capital que seguem conceitos da economia circular. “Entendemos que a economia circular precisa de uma nova perspectiva de governança, com um vínculo entre a redução do desperdício e os aspectos de sustentabilidade. Tudo para desenvolver, mudar e transformar Curitiba em uma cidade ainda mais inteligente, sustentável e inclusiva”, afirmou.

O debate com participação da representante de Curitiba teve mediação de Aziza Akhmouch, chefe da Divisão de Cidades, Políticas Urbanas e Desenvolvimento Sustentável da OCDE, e também reuniu Josée Chiasson, diretor de Desenvolvimento Econômico de Montreal (Canadá); Wayne Hubbard, diretor do Conselho de Reciclagem e Desperdício de Londres (Inglaterra);  Rohit Monserrate, prefeito de Goa (Índia); e Luca Montuori, vice-prefeito de Roma (Itália) e representante da presidência do C20.

Ecocidadão

Entre as pioneiras experiências de Curitiba em logística reversa (reciclagem de resíduos), um dos pilares da economia circular, Cris lembrou que o programa da capital começou na década de 1990 e agora está dando os próximos passos.

O programa Ecocidadão utiliza o conceito ‘reciclar, reaproveitar e reduzir’, reunido mais de 900 catadores em 40 associações com apoio econômico e capacitação. Essas cooperativas recebem mais de 1.700 toneladas/mês de material reciclável.

O Novo Bairro da Caximba, com grande impacto social e ambiental, foi apresentado como iniciativa de Curitiba também com foco na promoção da economia circular local. “Como está localizado na zona de inundação de dois rios que se cruzam, esse projeto de reurbanização urbana prevê um parque nacional protegido, baseado na gestão de inundações, além de polos multifuncionais para o intercâmbio sócio-cultural nas fronteiras urbano-verdes”, justificou Cris.

Fazenda Urbana

Já as ações de Curitiba para o incentivo à produção de alimentos de maneira saudável, com estimulo ao plantio comunitário, redução de desperdício e aproveitamento integral, foram destacadas com a apresentação da Fazenda Urbana de Curitiba, das 100 hortas urbanas com apoio da Prefeitura e o Programa Ciclo do Alimento, de redução de desperdício em feiras, mercados e sacolões públicos, uma parceria do município com universidades brasileiras e Royal Institute of Technology (KTH) da Suécia.

A mobilização de todo o ecossistema de inovação da cidade, com o Vale do Pinhão, ainda tem sido uma importante ferramenta de governança e planejamento de Curitiba para economia circular. A presidente da Agência Curitiba contou que o Fórum de Mudanças Climáticas da capital, por exemplo, tem a participação de universidades, iniciativa privada e sociedade civil, além do setor público, que deu origem à política do PlanClima. Uma das metas da PlanClima é destinar apenas 10% dos resíduos do aterro até 2050. Hoje, 50% dos resíduos vão para aterro.

“Levamos a cooperação muito a sério. O ecossistema do Vale do Pinhão, formado por universidades, setor produtivo, institutos, startups, pequenos negócios, ONGs e fundações, está sempre envolvendo em nossos programas”, frisou Cris.

Construção verde

O Plano de Design de Curitiba e a inauguração do Liceu de Ofícios Criativos, centro de conhecimento para capacitar artesãos, designers e a comunidade cultural, também foram citados como iniciativas da capital para o desenvolvimento sustentável dentro do conceito de economia circular. “Já quando falamos em construção verde, com desperdício reduzido de materiais de construção, Curitiba possui 20% de edificações com certificação Leed Platinum no país”, contou.

A presidente da Agência Curitiba ainda explicou que capital busca articular e compartilhar globalmente experiências de transição para a economia circular. Desde 2017, a cidade passou a fazer parte da rede global FabCity, que está empenhada em desenvolver um novo modelo urbano baseado na produção local, economia circular, tecnologia e inovação. “Em 2019, em parceria com a União Europeia, realizamos um fórum internacional para discutir economia circular e redução de carbono”, acrescentou.

Parcerias com BID, C40, AFD, União Europeia, The Ellen MacArthur Foundation e Chevening Program também foram citadas.

Desafios

Laura D’Aprile, diretora do Ministério da Transição Ecológica da Itália, abriu a conferência lembrando que a economia circular surgiu como uma alternativa ao modelo de economia linear que segue a lógica de “extração, produção, uso e descarte”. De acordo com ela, sob a ótica da economia circular, governos, empresas e cidadãos se unem para dissociar a atividade econômica do consumo de recursos finitos. “Com a transição para a economia circular busca-se eliminar resíduos e poluição desde o princípio, manter produtos e materiais em uso e regenerar sistemas naturais. São grandes desafios”, reforçou. 

Lamia Kamal-Chaoui, diretora do Centro de Empreendedorismo, PMEs, Regiões e Cidades da OECD, ressaltou que a transição para a economia circular somente ocorrerá mediante comprometimento e inovação envolvendo as cidades e, por isso, a conferência promovida pela OCDE e Green Building Council Italia é importante. “Hoje, as cidades liberam até 70% das emissões de gases de efeito estufa, consomem 80% dos alimentos e produzem 50% dos resíduos globais. A economia circular representa uma oportunidade para repensar os modelos de design, produção, manutenção e consumo, serviços e infraestrutura”, frisou ela.

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