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Startup do Tecnoparque moderniza varejo e gera inclusão social

A Anthor, uma startup do programa Tecnoparque que conecta repositores a redes varejistas por meio de aplicativo, gera oportunidades de renda e contribui para causas ambientais. A Anthor surgiu em 2018 e em agosto do mesmo ano passou a fazer parte do Tecnoparque, programa da Prefeitura de Curitiba que possibilita redução de ISS para projetos […]

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Atualmente, as mulheres acima de 41 anos são responsáveis por mais da metade do grupo de repositores da startup Anthor. Foto: Divulgação

A Anthor, uma startup do programa Tecnoparque que conecta repositores a redes varejistas por meio de aplicativo, gera oportunidades de renda e contribui para causas ambientais. A Anthor surgiu em 2018 e em agosto do mesmo ano passou a fazer parte do Tecnoparque, programa da Prefeitura de Curitiba que possibilita redução de ISS para projetos de base tecnológica.

A Anthor nasceu com o propósito de resolver uma questão muito impactante no faturamento do varejo: a perda de vendas por falta de produtos nas prateleiras. Para solucionar o problema, os fundadores Guido Jackson, Edouard Thomé e Willian Menegali desenvolveram um projeto baseado na economia compartilhada, semelhante ao modelo adotado por empresas de aplicativo de transporte. Hoje, a startup se consolida no mercado trazendo uma série de benefícios além de repor estoques, tais como pesquisa de preços, auditoria do Pondo de Venda e separação de pedidos que chegam ao supermercado via e-commerce.

Dois anos e meio depois do início das atividades, a startup chegou a três estados e já recebeu mais de R$7 milhões em aportes, em duas rodadas de investimento, e se destacou na área de ESG- sigla para Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança, em tradução).

Já o Tecnoparque garantiu apenas neste ano R$ 30,4 milhões em recursos para investimentos de startups e empresas de Curitiba. O valor é referente à desoneração oferecida pelo município às empresas inscritas, entre janeiro e maio deste ano, com a redução de 5% para 2% no Imposto Sobre Serviços (ISS). “É um programa importante para apoio aos projetos das empresas de tecnologia como a Anthor”, diz Cris Alessi, presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação, responsável pela gestão do programa Tecnoparque.

O Tecnoparque tem todo mês oficinas de orientação para elaboração de projetos. A próxima será no dia 30 de julho, das 14h às 16h. Informações e inscrições no www.agenciacuritiba.com.br/incentivo/tecnoparque.

Edouard Thomé, sócio fundador da startup curitibana que integra o Tecnoparque.

A Anthor já pagou mais de R$ 3 milhões aos anthors. como são chamados os repositores que usam o aplicativo. Entretanto, a atuação da startup teve impacto também no meio-ambiente.  Estudo realizado pela assessoria We.Flow, especializada em questões ESG, mediu quais as contribuições que a Anthor tem agregado ao ambiente de ESG.

Estima-se que um repositor que atue pelo Anthor se desloque 7,12Km por dia, bem menos que os 13Km percorridos diariamente pelos repositores tradicionais do varejo. Essa proximidade entre a casa e o trabalho, e a consequente redução do deslocamento para executar as missões, possibilita que os Anthors utilizem meios de transporte como deslocamento a pé, bicicleta e o transporte público numa razão muito maior que o modelo atual de reposição. O resultado de toda essa otimização foi uma redução de 69 % na emissão de gases de efeito estufa na atmosfera, uma economia equivalente a 199 toneladas somente nos últimos 12 meses.

“O repositor anthor atua em estabelecimentos próximos de onde se encontra, isso evita longos deslocamentos e faz com que muitos recorram ao transporte público, a meios de transporte não poluentes, como bicicleta e skate, ou até optem por ir andando até o local da missão”, explica  o fundador Edouard Thomé.

Hoje, a Anthor já presta serviços para clientes como Grupo Pão de Açúcar, Carrefour, Condor,  Mufatto e outras grandes redes varejistas do Paraná, São Paulo e Santa Catarina. A empresa já realizou mais de 180 mil missões de reposição e expandiu o escopo das atividades realizadas pelos anthors. 

Representatividade feminina

A pesquisa também revelou o perfil das pessoas que atuam pela Anthor, em boa parte a um grupo que se encontrava à margem do mercado de trabalho tradicional. Atualmente, as mulheres acima de 41 anos são responsáveis por mais da metade do grupo de repositores da startup. A participação delas também se faz presente no escritório da Anthor, que conta com um quadro de funcionários 54% feminino. “Mulheres, mães, muitas vezes únicas provedoras de renda da família. Este é um perfil comum dentre aqueles que se cadastram em nossa plataforma e que encontram em nosso trabalho uma oportunidade de renda extra com ganhos semanais”, comenta Thomé.

Outro ponto que tem atraído muitas pessoas é em relação à remuneração. Estima-se que o um repositor anthor ganhe em média R$27 por hora, enquanto um funcionário que atue com reposição no modelo tradicional ganhe R$6 por hora.

A dificuldade em encontrar emprego foi apontada por 34% dos repositores como principal motivo para atuarem com a Anthor, enquanto 52% afirmaram necessitar de pagamentos semanais e 58% apontaram a flexibilidade de horário como principal benefício da startup.

Ao se cadastrar na plataforma, o usuário realiza um treinamento online onde se habilita a realizar o serviço de reposição e recebe todas as orientações necessária ao melhor desempenho no ponto de venda. Ao entrar na plataforma, consegue ver as oportunidades que estão disponíveis em estabelecimentos próximos que necessitam de reposição ou qualquer outra tarefa – as chamadas missões. O repositor é remunerado por cada atividade que realiza. 

Além de reposição, os usuários cadastrados no aplicativo passam a realizar missões de pesquisa de mercado, nas quais a pessoa informa os preços dos produtos que lhe forem pedidos, fazem auditoria de ponto de venda (pdv), na qual são checados o cumprimento de planogramas, que nada mais é que o posicionamento de determinado produto na loja no local onde foi acordado,  e picking, que é a separação de produtos feitos pelo e-commerce ou delivery. O acréscimo de novos tipos de missões aumenta as opções de atividades dos anthors, amplia o leque de soluções para os clientes e abre novas oportunidades para quem precisa.

“De supermercados de bairro até grandes redes varejistas, a perda de venda ocasionada pela ruptura, é um problema que afeta a todos. Surgimos com o objetivo de solucionar essa dor de cabeça do varejo e hoje nos tornamos uma plataforma de inclusão social e transformação ambiental. Um gesto simples, como a pessoa atuar nas redondezas de onde se encontra, resulta em uma cadeia de impacto ecológico, social e financeiro”, finaliza Thomé.

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